quarta-feira, 27 de março de 2013

Capítulo 74 - ''Mas que grande cabra, parece sonsa e olha..''

Assim que olhei para trás, havia uma loira de mão dada com a pessoa que não queria ver para o resto da minha vida. - Gonçalo Alves

- Têm algum problema? - perguntei já chateada

- Não, parece é que andaste a saltitar de famosos, qual será o próximo? - insinuou

- Estás com inveja, é? - chutei

Ele pareceu ficar sem palavras, estava afectado com aquilo tudo.

- Eu, porque haveria de estar? Já provei mais do que ele ... por isso o invejoso será ele - disse

Apenas me dirigi a ele e um estalo era pouco, por isso não me humilhei nem me expus com aquele que seria um acto que me viria a arrepender.

- Nem mereces resposta, pessoas como tu quero distância, fica aí com a Barbie que eu cuido da minha vida.

Virei as costas e segui para o parque de estacionamento. Para o Gonçalo estar ali é porque já tinha terminado o estágio e a Amanda resolveu ir para casa matar saudades.

Quando cheguei ao parque de estacionamento, estava cheio junto das grades que definiam o limite permitido para o pessoal que não pertence ao staff do clube. Eram fãs que esperavam pelos jogadores para tentar a sua sorte.

Sálvio, o primeiro


De seguida, Jardel, Aimar, Luisão e Gaitán, cujo último não pode deixar de sorrir. Tiráram fotos e deram autógrafos. Ao fim de uns 6 minutos, muita da gente que se situava no local abandonou-o, ficando apenas umas 10/12 pessoas, por isso resolvi aproximar-me das grades.

Atrás de mim haviam 2 ou três raparigas que comentavam:

- Viste o que se passou lá fora? A Gisela pôs a antiga ''curte'' do Gonçalo Alves no lugar, grande Gi. - disse uma delas. Não tinha o costume de ouvir a conversa dos outros, mas estavam a falar de mim!

- A sério? como é que perdi isso? o que é que aconteceu para ela fazer isso? - perguntou outra, curiosa.

- Parece que há uns meses, essa tal mulher curtiu com o Gonçalo numa festa e enrolaram-se na Casa de Banho. Naquela altura a Gi e o Gonçalo tinham dado um tempo e ela sentiu-se traída, por isso contratou alguém que o vigiasse na festa. (Agora tudo fazia sentido, aquelas revistas a falarem, alguém tinha de andar a vigiar-nos para se aperceber do que tinha acontecido.) - começou

- Mas que grande cabra, parece sonsa e olha... - reagiu de imediato uma terceira rapariga

- E ela? só reagiu agora?

- Não, ela viu que o Gonçalo possuía por essa rapariga um sentimento que não tinha por ela, anda hipnotizado! eu, como amiga dela ainda a aconselhei a afastar-se, mas ela não me fez caso e eu só tive de apoiá-la na sua ''vingança''.

- Vingança? - dizia uma ao mesmo tempo que me fazia essa pergunta mentalmente.

- Sim, na altura que isso tudo aconteceu eu namorava com um jogador do Benfica e, como sabia que ela iria fazer os testes médicos resolvi espalhar o sucedido na sala de espera. Quando saí da mesma, avistei a pindérica da moça vir na minha direcção, fiz sinal ao meu namorado e eles puseram-se a fazer comentários sobre o tema. - continuava

Ela o que? Então o Gonçalo não se tinha aproveitado de mim? Fui Injusta com ele? Então porque é que ele continua com uma pessoa como ela? Havia muitas perguntas sem resposta na minha cabeça, mas pelo menos agora aquele assunto já fazia algum sentido, pelo menos havia provas que demonstravam o contrário ao que eu pensava.

- Eu estava escondida no final do corredor e assisti à sua reacção, foi hilariante, senti como se justiça se fizesse, fi-lo por amizade - concluíu

- És mesmo má - disse uma e aquilo levou a umas gargalhadas gerais.

Ainda latejava na minha cabeça aquele assunto, por um lado sentia-me mal comigo mesma pelo injusto gesto que tive com o Gonçalo, mas o facto é que eu fui a vítima, não podendo esquecer que ele ainda estava comprometido. Também tudo aconteceu porque o destino está marcado e o meu liga-me ao do Rodrigo.

Virei-me e elas rapidamente me reconheceram, tinham uma expressão que dizia ''Fizemos asneira''.

- Devias ter vergonha do que fizeste, mas no fundo até te agradeço, pois pelo que vejo o Gonçalo tem uma mente muito fraca e é uma pessoa bastante influenciável. E também querida (passei a minha mão pela sua face, com atitude de hipócrita) graças a ti, estou feliz e completa com o homem que amo e sempre amei. Obrigado.

Virei as costas ao assunto, ainda tinha de resolver alguns temas sobre este assunto. Não ia mentir a mim mesma, aquele homem, na sua altura criou-me de ilusões e destruiu-me com desilusões, mas agora percebo que não teve 100% de culpa, talvez uns 60, já que era comprometido e mo tinha ocultado e aquele assunto todo tinha-me afectado, mas tinha o homem da minha vida a chegar e não iria deixar que isso me afectasse.

Esperei mais uns 2 minutos e avistei-o no horizonte, vinha com um ar descontraído. 


 Assim que me avistou abriu aquele sorriso que eu tanto adorava, não consegui controlar o meu. 

- Olá de novo - disse-me.

- Olá - respondi - aquela saudação tinha sido um pouco constrangedora, apesar de nutrir-mos aquele sentimento um pelo outro continuávamos a ser uns estranhos.

- Podia deixar passar aquela mulher - pediu o Rodrigo para um segurança que estava perto das grades.

Não iria usar o Rodrigo, nem o expor a nenhum escandalo chamado ''Gonçalo'', mas aproveitei a presença daqueles demónios disfarçados de mulher (amigas da Gi) e desinibi-me, cumprimentando o Rodrigo como ele merecia, com um beijo na boca.

Beijo 2

Não queria perder a reacção delas e assim que terminámos, olhei para trás e vi-as olharem-me, se os olhos fossem balas eu neste momento não estaria viva para contar a história.

- Vamos? - perguntou-me o Rodrigo

- Claro, temos muito que conversar... - respondi

quarta-feira, 20 de março de 2013

Capitulo 73


 A Amanda vinha a correr com aquela maldita câmara ligada. Ao mesmo tempo o Rodrigo aproximava-se com aquele sorriso lindo, que me derretia...


Continuava sem conseguir parar de chorar, ele veio a correr, para não perder tempo, já que o tempo era pouco antes do inicio do segundo tempo. 

Limpou-me as lágrimas que teimavam em cair e disse-me ''Não chora não,sonhei muito por este momento e em nenhum desses sonhos você saia chorando, mas sim sorrindo'' 

Abraço entre Leire e Rodrigo

Em uma só voz, ouvi ''beija, beija, beija''. Apenas nos olhámos e sorrimos.

Beijo da Leire e do Rodrigo

O beijo fez com que o estádio se levantasse e reagisse àquela perfeita declaração de amor. Estava tão feliz por ele ter tomado aquela atitude, algum de nós teria de a ter e eu, certamente não era.
O jogo retomou e o Rodrigo esteve brilhante, quiçá a melhor prestação que ele teve com a camisola do Benfica. Foi muito rápido o marcador passar do nulo ao resultado favorável para o Benfica. Estava a massacrar, marcaram o 1º, o 2º e o Rodrigo não perdoou o 3º no limite da área.


Fez questão de mo dedicar, e eu agradeci-lhe por isso.

Tinha sido um dia inesquecível, a Amanda era  cúmplice, isso estava claro e, lá no fundo agradecia-lhe por isso.

O jogo terminou e o rodrigo despiu a camisola, estava maravilhada com aquele corpo, veio na minha direcção e, num olhar cúmplice, deu-ma.


O Abraço foi inevitável.

-Desculpa, mas não vou aceitar a camisola, ter-te a ti já foi um presente bastante grande, se podes fazer duas pessoas felizes, porque ser-mos egoístas? - disse-lhe ao ouvido, ao mesmo tempo que lhe indiquei uma rapariga que exibia um cartaz ''Rodrigo dá-me a tua camisola''. Ele, humildemente, dirigiu-se à bancada, entregou-lha, terminando com o típico abraço e foto.

Estava feliz, antes de abandonar o estádio disse-me:

- Espera por mim no parque de estacionamento.

Apenas confirmei que lá estaria com a cabeça e saí em direcção ao local combinado na companhia da Amanda, quando, já fora do estádio, alguém me agarrou o braço.

- Parece que esqueces as pessoas muito rápido e sem motivo nenhum te juntes a um jogadorzeco, humilhei-me e rebaixei-me por ti e tu? apenas me maltrataste e nunca mais me ligaste... - disse uma voz que eu bem conhecia

- Ela quer é fama, amor - terminou uma voz feminina, que não conhecia, mas que depois daquele insulto, não queria fazê-lo.

QUEM TERÁ INTERROMPIDO O DIA MAGNIFICO DA LEIRE?
QUEM  SE TERÁ HUMILHADO PERANTE ELA?

terça-feira, 12 de março de 2013

Capítulo 72

Por fim o estádio encheu e o jogo começou. A equipa estava bastante unida e organizada, o jogo fluía e só faltavam os golos. Primeira parte terminou e o marcador continuava nulo.
De repente as luzes apagam, não percebia o porquê, toda a gente assobiava, até que algo começa a ser reproduzido nos ecrãs do estádio...

Aqueles ecrãs normalmente reproduziam os adeptos no estádio, publicidade ou até mesmo vídeos com a finalidade de apoiar e incentivar a equipa, mas aquele era diferente...

Uma foto do acidente do Rodrigo em França apareceu no ecrã... aquela recordação deixava-me incómoda, desde aquele dia que sofrer por amor e em silêncio tornou-se um hábito e ainda mais quando somos ignorados.

Uma voz com sotaque brasileiro fazia-se ouvir, como de um narrador se tratasse.

'' Estágio em França, tudo indicava uma boa estância, mas um acidente atravessou-se no meu caminho enquanto passeava num jardim e armado em valente acabei por cair. Uma desconhecida me salvou, a sua rápida assistência ditou que não sofresse danos colaterais à queda.

(Aquele inicio veio confirmar o quão presente aquela história estava na minha vida, não contive as lágrimas, elas não paravam de cair e dei graças a Deus pelo estádio estar sem luz... queria saltar para dentro de campo e dizer que fui eu,..)

Desde esse dia que estou grato a essa pessoa, procurei-a e procurei-a mas quando a vi naquela discoteca em França a cobardia apoderou-se de mim e fez-me ignorá-la''

(Nem sei descrever o que senti naquele momento, era de mim que ele falava, as lágrimas continuavam em cair muito rapidamente)

Um foco iluminou a saída de uma pessoa do túnel, era um jogador, porque estava trajado como tal, sem dúvida do Benfica. O mesmo, dirigiu-se até ao meio campo, estava a narrar aquele vídeo. Uma foto minha apareceu no ecrã gigante. Se antes chorava bastante, o bastante virou pouco.
foto da Leire que apareceu no estádio

Agora haviam mais espectadores, os restantes companheiros mais o Staff do Benfica e os adversários já se encontravam junto aos seus respectivos bancos.

'' Desde que te vi que o meu coração acelera cada vez que penso em ti e sei que tu sentes o mesmo..''

Sabe que eu sinto o mesmo? como? olhei para o lado onde estava situada a Amanda e vi-a gravar aquele espectáculo todo e a rir-se para mim...

- Tens alguma coisa a ver com isto? - perguntei à Amanda

Apenas riu-se e só me saiu um ''vou-te matar''.

Com o estádio em completo silêncio, apenas se ouvia a voz do Rodrigo.

''Sei que esta mulher fantástica está entre estas 60 mil pessoas, vou dar a volta ao estádio e se alguém a viu, que grite quando eu passe, peço por favor que façam silêncio''

A minha sorte é que ele começou do lado direito do banco do Benfica contornando o estádio. Estava situada no lado esquerdo do banco do Benfica, assim seria o último local onde ele pararia  assim daria-me mais tempo para me mentalizar que ele me iria encontrar.

Apenas olhei para a Amanda e não foi preciso palavras, apenas um olhar soube decifrar o que queria dizer um ''nem penses em denunciar-me''.

Cada vez que ele dava um passo fazia disparar o meu coração... Estava a uns 10 metros de mim e a única reacção que tive foi de me agachar, não me sentia preparada, aquilo tudo tinha sido lindo, o que sempre esperei mas a minha insegurança falou mais alto, tinha sido um ''boom'' na minha vida. Quando vi o foco passar o local onde estava levantei-me. Viu visivelmente desiludido, dirigiu-se novamente ao centro do relvado.

''Estava à espera de outro final, mas fiz o que a minha cabeça e coração mandaram, estou bem comigo mesmo e, apesar de não ter encontrado a pessoa que queria, quero que saibas, estejas onde estiveres, que vou estar à tua espera''

A apenas 10 minutos do inicio da segunda parte do jogo, olhei para o lado para avisar a Amanda que iria à casa-de-banho, precisava de sair dali por um bocado, estava impactada com aquilo tudo.

Todos os jogadores começaram a gritar e a apontar na minha direcção... Chamavam ''Rodrigo Rodrigo'' uma luz focou-me, senti-me corar, aquilo não me estava a acontecer.